Porque devemos nos preocupar com o mar?

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No dia 22 de abril passado comemorou-se o Dia da Terra, quando vários eventos foram organizados no mundo inteiro, para despertar a consciência a respeito do meio ambiente. Foi um derramamento de óleo, em 1969, em Santa Barbara – Califórnia – EUA, que inspirou o senador norte-americano Gaylord Nelson a criar o primeiro Dia da Terra, que foi comemorado em 22 de abril de 1970. Naquele dia, 22 milhões de pessoas aderiram à primeira celebração e, a cada ano, mais e mais pessoas participam da comemoração. Hoje, calcula-se que mais de 500 milhões de pessoas, em 175 países, se envolvam nas campanhas.

A propósito do Dia da Terra, nós, aqui do “Você Sabia?”, paradoxalmente, gostaríamos de falar do mar. Afinal, somos um planeta azul e cerca de 60% dele são formados pelos oceanos. Existem dados concretos e confiáveis que dão conta de que os nossos oceanos estão enfrentando mudanças críticas perigosamente rápidas que, sem a influência humana, levariam milhões de anos para ocorrer.

 

O que é acidificação

A acidificação oceânica é a designação dada à diminuição do pH (*) dos oceanos causada pelo aumento do CO2 atmosférico. Estima-se que entre 1752 e 1994 o pH da superfície oceânica tenha diminuído cerca 0,075, de 8,179 para 8,104. A causa principal do aumento da acidificação são as ações do Homem, sendo a mais importante a absorção do CO2 resultante da atividade humana. Além disso, o azoto de origem agrícola, industrial e o resultante dos transportes e produção de energia, que são igualmente fonte de compostos NH3. A acidificação dos nossos oceanos, em 300 milhões de anos, nunca esteve tão acelerada. Com isso estamos perdendo organismos importantes que não conseguirão se adaptar tão rápido quanto a mudança do pH das águas e isto está causando efeitos desastrosos em todo o ecossistema.

(*) A abreviatura pH é o símbolo da grandeza físico-química “potencial hidrogeniônico”, que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução aquosa.

O que é sobrepesca

Em ciências pesqueiras, chama-se sobrepesca a situação em que a pesca de uma espécie, ou numa região, deixa de ser sustentável, ou seja, quanto maior o volume da pesca, menores serão os rendimentos, seja do ponto de vista biológico, seja econômico. A sobrepesca está transformando nossos oceanos em um mar de peixinhos. Para cada tonelada de animais capturados para consumo humano, com pesca industrial de arrasto, 900 kg são devolvidos, mortos, ao oceano. Portanto, lembre-se de que, para você comprar 1 quilo de linguado, outros 9 quilos de animais foram desnecessariamente mortos.

O que é “shark finning”

O shark finning está acabando com os maiores e mais antigos predadores dos oceanos – os tubarões. A expressão inglesa shark finning refere-se à remoção das barbatanas de tubarões e, depois, o despejo do corpo dos peixes no oceano. Estes tubarões, depois de morrer em virtude dos seus ferimentos ou por asfixia, são comidos por outros peixes, porque se tornam incapazes de se mover normalmente. A procura por barbatanas de tubarão aumentou na última década, em grande parte devido à crescente procura por barbatanas que são usadas numa sopa dita afrodisíaca e para supostas curas de várias doenças, particularmente na China e em seus territórios. Estudos estimam que 26 a 73 milhões de tubarões são mortos anualmente para retirar as barbatanas. A média anual, para o período de 1996 a 2000, foi cerca de 38 milhões – quase quatro vezes o número registrado pelo Food and Agriculture Organization (FAO) das Nações Unidas, mas ainda bem menor do que as estimativas dos conservacionistas.

O lixo 

O maior depósito de lixo do mundo não está em terra firme, mas sim no Oceano Pacífico, numa imensa área que começa a cerca de 950 quilômetros da costa californiana e chega ao litoral havaiano. Seu tamanho já se aproxima dos 700 mil quilômetros quadrados, o equivalente aos territórios somados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo – e não pára de crescer. Descobridor do aterro marinho gigante, também chamado de “vórtice de lixo”, o oceanógrafo norteamericano Charles Moore acredita que estejam reunidos naquelas águas cerca de 100 milhões de toneladas de detritos – que vão desde blocos de brinquedos Lego até bolas de futebol e caiaques. Correntes marinhas impedem que eles se dispersem. Cerca de 20% dos componentes desses depósitos são atirados ao mar por navios ou plataformas petrolíferas. O restante vem mesmo de terra firme. A aproximação dessa massa imunda de terra firme, por eventuais mudanças de correntes marinhas, produz efeitos devastadores.

A colcha de lixo regurgita, e tem-se uma praia coberta com esse confete de plástico. O acúmulo de detritos chega a tal ponto que, para cada quilo de plâncton nativo da região, contam-se seis quilos de plástico. Moore ficou boquiaberto por se ver cercado de detritos, dia após dia, a tamanha distância do continente. “Como pudemos emporcalhar uma área tão imensa? – ele perguntou, estarrecido. A experiência marcou tanto o oceanógrafo que ele, herdeiro de uma família milionária que fez fortuna com petróleo, vendeu toda a sua participação acionária e se tornou um ambientalista. A imensa quantidade de lixo nos mares envenena e mata incontáveis animais, todos os dias. Talvez não consigamos matar completamente os oceanos que nos deram a vida, mas, com certeza, causaremos muitos e graves estragos. Antes de aniquilarmos o planeta e a nós mesmos, como consequência de nossos hábitos insensatos, devemos descobrir, urgentemente, maneiras de colaborar e construir, ao invés de competir e destruir.

Quando o último rio secar e última árvore frutífera morrer, os seres humanos, finalmente, vão compreender que o dinheiro não serve para comer.

 

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