Crise do crédito hipotecário de alto risco

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A crise do crédito hipotecário de alto risco é uma crise financeira e acionária (referindo-se ao mercado de ações negociadas em bolsas de valores) desencadeada em 2006 por uma quebra dos empréstimos hipotecários de alto risco (em inglês: subprimes) nos Estados Unidos e revelada ao mundo a partir de Fevereiro de 2007, como uma crise financeira mundial.

Os subprimes são créditos bancários de alto risco. Incluem desde empréstimos hipotecários até cartões de créditos e aluguéis de carros, e eram concedidos, nos Estados Unidos, a clientes sem comprovação de renda e com histórico ruim de crédito.

As taxas de concessão são pós-fixadas, isto é, são determinadas no momento do pagamento das dívidas. Por esta razão, com a disparada dos juros americanos, muitos mutuários ficaram inadimplentes, sem condições de pagar as suas dívidas aos bancos.

De maneira geral a crise do crédito hipotecário provocou, a partir do 18 de Julho de 2007, uma crise de confiança geral no sistema financeiro, provocando quebras nos mercados (falência de bancos comerciais e bancos de investimentos) e uma crise de liquidez bancária (falta de dinheiro disponível para saque imediato pelos correntistas do banco).

Mesmo bancos que não trabalhavam com os chamados “créditos podres” foram atingidos. O banco britânico Northern Rock, por exemplo, não tinha hipoteca-lixo em seus livros. Mas sua estratégia era a de pedir dinheiro emprestado a curto prazo (a cada três meses) às instituições financeiras, para emprestá-lo depois aos compradores de casas, a longo prazo (em média, vinte anos). De repente, as instituições financeiras deixaram de dar empréstimos ao Northern Rock, que, assim, no início de 2007, acabou por se tornar o primeiro banco britânico a sofrer intervenção, desde 1860.
Na seqüência, temendo que a crise tocasse a esfera da economia real os Bancos Centrais foram conduzidos a injetar liquidez (dinheiro) no mercado interbancário, para evitar que mais bancos quebrassem e que a crise se ampliasse em escala mundial, alimentando assim um ciclo vicioso.

Auge

Em agosto e setembro de 2008, a crise, acumulada deste 2007, chegou ao auge, com a estatização dos gigantes do mercado de empréstimos pessoais e hipotecas – a Federal National Mortgage Association (FNMA), conhecida como “Fannie Mae”, e a Federal Home Loan Mortgage Corporation (FHLMC), apelidada de “Freddie Mac” – que estavam quebradas. Logo em seguida, veio o pedido de concordata do tradicional banco de investimentos Lehman Brothers, com mais de 150 anos de existência e um dos pilares financeiros de Wall Street, e a venda, ao Bank of America, da corretora Merrill Lynch, uma das maiores do mundo.

A cascata de falências e quebras de instituições financeiras provocou a maior queda do índice Dow Jones e de bolsas de valores internacionais desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Em 16 de setembro, o Lehman Brothers fechou um acordo para vender partes do banco para o britânico Barclays, segundo o jornal Financial Times.

No mesmo dia, as ações da American International Group Inc. (AIG), a maior empresa seguradora dos Estados Unidos, caíram 60% na abertura do mercado. Ao longo do dia, o Federal Reserve tentou convencer os bancos J. P. Morgan e Goldman Sachs a conceder um crédito de emergência de US$ 75 bilhões para ajudar a AIG.  Enquanto isso, a Moody’s e a Standard & Poor’s rebaixavam a classificação dos créditos da empresa, em razão das expectativas de novos prejuízos na área de seguros de hipotecas.

Segundo o analista de negócios da BBC, Greg Wood, um possível fracasso na operação para salvar a AIG seria duas vezes pior do que a quebra do Lehman Brothers. No entanto, segundo o New York Times, a AIG conseguiria rapidamente a proteção necessária para evitar a falência.

De fato, em 17 de setembro, o Federal Reserve anunciou um empréstimo de US$ 85 bilhões para a AIG. Em troca, o governo assume o controle de quase 80% das ações da empresa e o gerenciamento dos negócios.

No Brasil, cogitou-se que o Banco Itaú viesse a absorver a filial brasileira da Merrill Lynch, e que o Unibanco pudesse vir a aumentar a sua participação na filial brasileira da AIG.

Em 29 de setembro, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos rejeitou o pacote de medidas de ajuda governamental ao setor financeiro, por 228 votos contra e 205 a favor. O pacote previa a liberação de recursos do Tesouro, de até US$ 700 bi, para a compra de títulos podres de crédito hipotecário. O governo ficaria com ações das instituições socorridas. As instituições financeiras seriam taxadas se o governo tivesse perdas por mais de cinco anos após a operação de salvamento.

Mesmo se tivesse sido aprovado, o pacote de US$ 700 bilhões, proposto pelo governo Bush, não teria dissipado as incertezas, segundo o jornal Washington Post. Na mesma linha, o Wall Street Journal avalia que o pacote não resolveria o problema fundamental da crise do setor imobiliário. Segundo o WSJ, o preço dos imóveis continuará caindo, pois os principais sustentáculos do crescimento da economia – gastos dos consumidores, empresas e governo e as exportações – continuam se esfarelando (…). A demanda externa por bens americanos, que ajudou o setor industrial a evitar uma desaceleração mais profunda este ano, deve secar à medida que as maiores economias mundiais flertam com a recessão e nações de rápida expansão como China e Índia perdem o pulso. Na melhor das hipótes, os analistas esperam um aumento da taxa de desemprego nos EUA, de 6,1% para 8%.

As análises do New York Times e do Financial Times, assim como as do Fundo Monetário Internacional, vão na mesma direção: a administração da crise deve consumir mais uns dois anos.

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