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	<title>Curiosidades no Você Sabia &#187; universidades</title>
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		<title>O Que é Felicidade?</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 12:49:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Supertrix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[A ciência moderna pensa estar apta a responder, pelo menos parcialmente, a esta questão. Em laboratórios de todo o mundo, o estudo do cérebro entrou numa fase detalhada, que permite até chegar a conclusões sobre o grau de felicidade das pessoas. E estes esforços levaram os investigadores a surpreendentes análises comparativas. A mais preciosa cobaia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- Start Shareaholic LikeButtonSetTop --><!-- End Shareaholic LikeButtonSetTop --><p>A <strong>ciência moderna</strong> pensa estar apta a responder, pelo menos parcialmente, a esta questão. Em laboratórios de todo o mundo, o estudo do cérebro entrou numa fase detalhada, que permite até chegar a <strong>conclusões </strong>sobre o grau de felicidade das pessoas.</p>
<p>E estes<strong> esforços </strong>levaram os investigadores a surpreendentes análises comparativas.<br />
A mais preciosa cobaia destes estudos não é um ratinho de laboratório, mas um monge budista de origem francesa, <strong>Matthieu</strong></p>
<p>Ricard, filho de um famoso filósofo e autor francês, recentemente falecido, Jean-François Revel.<br />
A mente deste monge foi estudada na<strong> Universidade de Wisconsin </strong>e o resultado é arrebatador, podendo até mudar por completo a visão que temos do cérebro humano.<span id="more-1339"></span></p>
<p>Os cientistas nunca encontraram ninguém tão<strong> &#8220;feliz&#8221; </strong>e afirmam, em medições quantificáveis, que Ricard é mesmo o homem &#8220;mais feliz na Terra&#8221;.<br />
Esta conclusão tem a ver com a medição de certas ondas cerebrais e a actividade no <strong>córtex pré-frontal </strong>esquerdo, que está associada a pensamentos positivos.</p>
<p>Estudos científicos americanos mostram que estão particularmente desenvolvidas estas características cerebrais em monges budistas que praticam um determinado tipo de meditação durante a qual tentam pensar em todos os seres vivos com especial compaixão.</p>
<p>E, se existe um atleta de alta competição nesta modalidade, ele chama-se Matthieu Ricard.<br />
Com 61 anos, este antigo biólogo molecular decidiu há 30 anos abandonar a sua vida de investigador e seguir a religião budista, tornando-se mais tarde assessor do <strong>Dalai Lama</strong>, o líder espiritual dos budistas tibetanos.<br />
Antes de optar pelos<strong> Himalaias,</strong> o monge fizera um doutoramento em genética molecular e trabalhara ao lado do Prémio Nobel da Medicina (em 1965), <strong>François Jacob.</strong></p>
<p>Foi nessa altura que escolheu a religião, após ter lido textos budistas que o impressionaram.Na década de 70, <strong>Matthieu Ricard </strong>foi discípulo do mestre tibetano Rinpoche e tornou-se mesmo um dos maiores estudiosos dos textos tibetanos clássicos.</p>
<p>Mas a ciência veio de novo ter com ele. A história da vertente de investigação que levou as neurociências ao budismo começou há uma década, quando <strong>Dalai Lama</strong>, durante uma visita a uma escola médica americana, fez uma pergunta: pode a mente moldar a matéria? O problema levantado com esta questão aparentemente de resposta negativa partia do pressuposto de que a ciência tinha provado existirem alterações químicas no cérebro e impulsos eléctricos associados a pensamentos ou a emoções.</p>
<p>Mas seria possível conceber o inverso, ou seja, os pensamentos produzirem alterações químicas e produzir impulsos eléctricos?<br />
Ao longo da última década, os cientistas têm estudado as alterações do estado mental de monges budistas.<br />
A equipa de Richard Davidson, da Universidade de <strong>Wisconsin</strong>, fez medições precisas de voluntários com mais de dez mil horas de meditação, sobretudo de Ricard, e percebeu que este estado contemplativo estimulava zonas do cérebro associadas às emoções, nomeadamente às</p>
<p>positivas, como aquelas que nos habituámos a ligar a estados de felicidade.<br />
Igualmente importante era o facto de, entre estados de meditação, as ondas cerebrais permanecerem intensas, sugerindo que era possível treinar o cérebro e controlar as emoções, mudando a estrutura da própria mente.</p>
<p>Segundo <strong>Davidson</strong>, &#8220;os resultados mostram que a meditação pode mudar as funções cerebrais de forma durável&#8221;.<br />
Isto é basicamente o que fazem os monges budistas, afirma a ciência, após uma década de estudos pormenorizados, com o uso de equipamentos sofisticados que permitem medir as ondas cerebrais e as zonas do cérebro em funcionamento.</p>
<p>Outra equipa fez experiências com Ricard e 150 voluntários, onde mostrou que o monge budista francês conseguiu um equilíbrio entre emoções positivas e negativas jamais visto num ser humano, com desvio para as positivas (entusiasmo, alegria) que anulava as negativas (medo, ansiedade).</p>
<p>A conclusão deste estudo de<strong> Adam Engle é semelhante</strong>: o cérebro não é estável, ele pode mudar.<br />
São enormes as implicações destes estudos. As investigações sobre os fenómenos budistas começaram por estar rodeadas de controvérsia, mas a melhoria dos equipamentos tornou consensuais os resultados. Também se sabe que a meditação tibetana é uma prática, tal como o desporto no</p>
<p><strong>Ocidente</strong>. E a comparação é aceite.</p>
<p>Tudo indica que o cérebro pode ser treinado na idade adulta e até mudar a sua organização interna, algo que experiências com músicos também tinham demonstrado.</p>
<p>A linha de investigação sugerida pelas experiências com o homem mais feliz do mundo não tem implicações apenas para a questão da felicidade e para a melhoria de vida de cada indivíduo, mas para coisas mais prosaicas, como o controlo do stress, a melhoria da atenção.</p>
<p>A história mostra ainda que a contemplação vale todos os bens materiais e que as contas bancárias não dão felicidade. O homem mais feliz do mundo não tem riqueza pessoal e vive num mosteiro nos <strong>Himalaias.</strong></p>
<p>A compaixão, o amor, o deslumbramento, a piedade, a clemência, a devoção, enfim, todos os sentimentos que nos habituámos a encarar como positivos resultam, afinal, de uma capacidade interior que podemos controlar.</p>
<p>E nesta curiosa fusão entre religião e ciência falta ainda o senso incomum dos poetas, de Camões, por exemplo, que num soneto teve um inspirado momento eureka da poesia: &#8220;Tão enlevado sinto o pensamento que me faz ver na Terra o Paraíso&#8221;. O monge não diria de outra maneira. &#8220;</p>
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